Cássio Arreguy

14/07/2006 14:47
ANOS 80

O estúpido assassinato de John Lennon foi o prenúncio do que viria adiante. Mais do que o fim do sonho, a morte do ex-beatle significou a ausência de ídolos para os jovens, ao menos os ligados ao rock. No rastro do furacão punk do final dos 70, a juventude acusava um pessimismo e uma falta de rumo que rendeu o título de década perdida aos anos 80. E as letras carregadas de tristeza, desilusão e cheias de referências à morte fizeram, paradoxalmente, a fama de Ian Curtis e cia, alçando ao estrelato bandas como Joy Division, Bauhaus, The Cure, Smiths, Siouxie & The Banshees e várias outras que deram o ar dark que acabou virando moda. Ao mesmo tempo o pós punk gerou as distorções cheias de gás do Sonic Youth, Jesus & Mary Chain e Pixies. Mas foi uma banda da Irlanda que conseguiu unir a atitude enérgica vital do rock a letras politizadas e engajadas, ao mesmo tempo em que se revestia de uma aura pop típica dos novos tempos. O U2 virou ícone, enquanto aquelas bandas mais soturnas se afogaram nos próprios dilemas. A música pop já estava dominada pela eletrônica, e o rock não ficou imune à contaminação. Em alguns casos até conseguiu honrar a trilha iniciada pelo Kraftwerk, mas no geral mostrou que a falta de criatividade e os excessos da década anterior custaram muito caro. Foi uma década perdida também para o rock, que deixou de ser o gênero preferido da juventude e que, para muitos, havia morrido.
enviada por Cassio






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