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28/07/2006 15:24
Da série Minhas Crônicas
SONHOS
Diz o poeta Ferreira Gullar que o sonho é uma espécie de esperteza do nosso corpo, que, necessitando descansar, inventa uma mentira para continuar dormindo. Interessante a tese, pois o sonho é realmente uma grande mentira. Mas no tempo em que dura, transforma-se em agente revelador da verdade. Uma radiografia da alma e da mente. Nos sonhos materializamos nossos desejos, nossas vontades e aspirações, assim como desvendamos os segredos mais reclusos, os medos e apreensões que insistimos em ocultar dos outros e de nós mesmos. Uma das características do ser humano é justamente a capacidade de sonhar, e não apenas enquanto dorme. Nesse caso há um lado incontrolável, que não dá ao sujeito o poder de dominar e direcionar os devaneios. E nos tornamos suscetíveis aos pesadelos, em sensações muitas vezes aterrorizantes. Mas durante o período em que estamos acordados e conscientes, é normal que busquemos uma abstração capaz de afastar as agruras do dia-a-dia, substituindo-as por pensamentos muitas vezes vãos, irreais por completo. No entanto a humanidade se move muito em função desses pensamentos. Idéias mirabolantes saíram de momentos de pura e completa viagem mental, bem como o destino de seres e povos foram traçados pela vontade, à primeira vista, de um maluco ou incompreendido. Quando Martim Luther King declarou os sonhos de igualdade e de respeito, deu o combustível necessário para o recrudescimento do racismo na sociedades americana e mundial. E ao dizer que o sonho havia acabado, John Lennon simbolizou o pessimismo da juventude dos anos 80. Os sonhos movem o mundo, tanto quanto os indivíduos. E deles precisamos, pois é o alimento da alma. Sem sonhos não existe vida. Quem não é capaz de sonhar, não é capaz de viver. Chavão mesmo, mas uma verdade.
enviada por Cassio
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