Cássio Arreguy

11/08/2006 10:47
DIA DOS PAIS

Domingo é Dia dos Pais. Pela primeira vez passaremos a data sem a presença de meu pai, falecido há alguns meses. Uma sensação estranha, certamente. Lembro-me que os domingos dos pais sempre foram muito agitados lá em casa. Desde menino acostumei com o burburinho dos almoços festivos. E as presenças de filhos e filhas, noras e genros, netos e netas, davam o ar de comemoração necessário que a data exige. Meu pai não era um cara falador, pelo contrário. Preferia o silêncio observador, atento a tudo e a todos, por mais distraído que parecesse. À matraquice do mulherio respondia com tiradas sarcásticas, comentários objetivos, ou uma risada ao mesmo tempo enigmática, irônica e reveladora. Se o assunto exigia seriedade, a objetividade e sagacidade do bom jornalista que sempre foi vinham à tona. À mesa farta, com o lauto cardápio de comidas sempre saborosas, se esbaldava, assim como nós todos. Comer sempre foi um programa dos mais apreciados na família. Lombo, frango, macarrão, tutu, feijão, arroz, saladas, não tinha preconceito quando o assunto era satisfazer o estômago. Mas que não viessem com o tal do estrogonofe, pois desse ele nutria especial inimizade, coisa rara, por sinal. Faz falta o velho João, com a autoridade construída naturalmente pela simplicidade, inteligência e equilíbrio. Enquanto isso vou me acostumando ao outro lado desta data. Três anos cumprindo o papel de pai já me deixam orgulhoso e mais do que satisfeito. Principalmente depois que o Felipe, meu filho, me encarou do nada, olho no olho, sem qualquer estímulo da minha parte, e falou: "Pai, docê é meu helói". Ganhei meus dias.
enviada por Cassio






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