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25/08/2006 11:34
FAHRENHEIT 451
Foi lançado recentemente no Brasil, pela Universal, o DVD do filme Fahrenheit 451, dirigido pelo cineasta François Truffault. Trata-se da adaptação de uma novela do escritor americano Ray Bradbury, mesmo autor de Crônicas de Marte e outras novelas e contos de ficção científica. O enredo é simples. Num futuro próximo, os bombeiros locais têm por função queimar todo tipo de material impresso, que é considerado como propagador da infelicidade. Até que um dos bombeiros começa a questionar os motivos que fazem com que ele e seus colegas queimem livros e revistas. Lembra em certos aspectos a obra de George Orwel, 1984. É um belo filme, o único em inglês do diretor francês. Instigante, inquietante e comovente, é um típico exemplar do cinema alternativo dos anos 60, estética e filosoficamente, com uma atmosfera de contracultura e de valorização humanista. Pelo menos pra mim carrega semelhanças com outro filmaço, Blow Up, de Antonioni. É também um manifesto contra o autoritarismo e, ao mesmo tempo, um libelo a favor da poesia, da literatura, das artes, da liberdade de expressão. O título é referência à temperatura que os livros são queimados. Convertido para Celsius, esta temperatura equivale a 233 graus. Costumava passar nas sessões noturnas da tevê, mas há muito está distante da programação. Pena, Truffault é sempre um bom programa, e este filme agora pode ser comprado ou alugado. Uma das cenas marcantes e que leva o bombeiro Montag a questionar tal linha de raciocínio é quando ele vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva. É um filmaço, não necessariamente uma obra-prima, mas que merece ser visto, estudado e propagado pelas faculdades, escolas e acessível às novas gerações.
enviada por Cassio
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