Cássio Arreguy

29/06/2007 14:46

NO BANCO DA PRAÇA

Da Série Minhas Crônicas

Rodolfo gostava de pensar. No banco da praça, na tarde tranqüila de um inverno morno, refletia sobre os momentos passados. Sua vida seguia calma, sem sobressaltos. Bem no trabalho, com a confiança dos superiores, na vida íntima levava adiante a forma simples e humilde de alguém que não nutria grandes ambições. Não que fosse um cara acomodado, despretensioso, sem garra e sem tesão. Mas nem de longe fazia o perfil tão admirado nesses tempos de competição atroz. Gostava de pequenos prazeres como ouvir música, uma boa leitura, diversão e arte. Naquele momento de paz interior e exterior, na praça ocupada por jovens recém saídos da escola, crianças gastando a energia acumulada nos apartamentos, casais de namorados em plena curtição de um amor ainda imberbe, fazia ele um ato de reflexão. Rodolfo estava desejoso de emoções. Solteiro, há meses largara uma paixão avassaladora e um tanto desproporcional por uma bela jovem de sorriso magnetizante. Não a vira mais e nem por ela restava algo daquilo que antes o atormentava. O encanto se quebrara e ficara a amizade sincera e honesta, firme o suficiente para que não se esvaísse nos tempos em que a assediava. Em sua mente ainda havia a sensação de que tudo poderia ter sido diferente caso não precipitasse a exposição de um desejo juvenil. Parece até que foi ontem, pensava. O atropelo dos dias atuais coloca tantas coisas em nossa frente que o acontecido de outrora fica mais distante ainda. Sentia saudades do papo, da confiança e da admiração que aquela jovem por ele demonstrava. Ela se foi, percorrer outras trilhas, desbravar novos mundos e buscar a realização em outros feitos. Deixou o brilho e as recordações. E Rodolfo seguiu adiante, pensando e relembrando. Feliz por estar ali, naquela tarde tranqüila de um inverno morno, no banco da praça, curtindo a vida.
enviada por Cassio






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